Crítica ‘La Casa de Papel’ – A genialidade de Alex Pina

Antes de tudo, classifico Alex Pina como genial pois é sua primeira série de ficção, com um roteiro impecável, elenco brilhante, sucesso de público incontestável e o cara não me gastou um só centavo em divulgação e marketing é difícil acreditar mas ‘La Casa de Papel’, lançada no finalzinho de 2017 é um fenômeno no Brasil e na Itália e muito cotadíssima em outros países que ainda estão se acostumando com a genialidade de Pina.

POTÊNCIA INIGUALÁVEL 

La Casa de Papel‘, consegue roubar sua atenção logo no primeiro episódio, cheio de ação, suspense, planos geniais e plot twists mais que eficazes.

Lançada em maio do ano passado, a minissérie espanhola originalmente tem um total de 15 episódios, mas a Netflix transformou os 9 primeiros episódios em 13 que contemplam assim a primeira temporada.

A série narra a história de um homem genial, chamado Professor (Álvaro Morte), que recruta 8 criminosos para assaltar a Casa da Moeda da Espanha – em um plano surpreendentemente brilhante, cujo os seus próprios olhos podem conferir, aqui não vai rolar spla-casa-825oilers.

Ao lado de outros seis ladrões de personalidades bem distintas, eles entram na casa da moeda e fazem 60 reféns enquanto executam o plano do professor e roubam 2,4 bilhões de Euros.

 

RECURSOS 

Pina optou por usar flashbacks, para nos apresentar um pouco mais de cada um dos ladrões, só que a sacada foi; antes de inserir esse recurso, Alex faz com que o roteiro precise do passado, sem se tornar aquele manjada preguiça de roteirista, ele é brilhante usando os flashbacks em um tempo exato, o que faz com que o espectador  crie empatia com os criminosos, algo similar à Síndrome de Estocolmo. Nós entendemos as motivações de cada um dos ladrões. Ao se arriscar ao tema, Pina decidiu também 706discutir a síndrome em um dos seus episódios.

Todos os personagens são tridimensionais e aprofundados, com inúmeras camadas, cada personalidade é trabalhada separadamente, deixando a série mais interessante e viciante. A produção da série foi delicada na montagem, o que te faz querer ver aquela história até o fim, sem pausa, ‘Uma imersão’, naquele mundo; tudo isso graças a cada virada da trama nos deixar ainda mais curiosos pelo desfecho da história.

OUTROS RECURSOS 

58O roteiro de Pina se prova tão maduro a ponto de chegarmos a conclusão que é perfeito. Ao usar recursos dramáticos em seu roteiro com perfeição,  a série também  se preocupou em escalar alguns reféns, que interpretam personagem cheios de passados, nos primeiros episódios nos deparamos com Mônica (Esther Acebo), uma secretária da fábrica da moeda, com histórias que nos levam diretamente ao enfrentamento da situação pela qual ela está passando.  Alex Pina é sagaz ao usar também uma das personagens para criar uma intimidade maior com o público, que acompanha toda a história da trama a partir do ponto de vista, interesses e desafios de Tóquio  (Úrsula Corberó), em atuação sensacional.  Além de retornar ao passado Tóquio também funciona como uma espécie de “gancho”, para o desenrolar da história, já que ela é os olhos do público dentro da história, em muitos momentos ela te fará odiá-la , já que algumas decisões de Tóquio literalmente são por não seguir as regras estudadas e ditas pelo Professor.

DESLIZE 

arturo-roman-senha-celularCom a profundidade de alguns personagens, Pina faz uma escolha muito complexa, já nos primeiros episódios a não acertar tanto escolhendo Arturo Román (Enrique Arce), o diretor da Casa da Moeda para literalmente segurar a única ponta solta do roteiro. O personagem fez tudo o que poderia pra tentar escapar na primeira parte da série, muitas vezes, sendo extremamente insistente com outras pessoas, colocando suas vidas em risco. Um homem assustado, que mantinha um relacionamento às escondidas com a Mônica Gaztambide, e indeciso sobre o que realmente gostaria pra sua vida. O problema é que ao acompanharmos a série notamos que o personagem de Arce, simplesmente serve como uma  distração, pois em suas investidas nada lhe acontece de fato. E ao decorrer da série o personagem é literalmente abandonado pela história. Porém, ainda assim é um personagem interessante, sem propósito concreto, mas muito interessante.

 

ASSISTA JÁ

Bem amigos, em termos de qualidade o material apresentado por Pina é genial e muito instigante, vale muito a pena conferir; ‘La Casa de Papel’ tem um roteiro genial e atuações acima da média, e já está é fenômeno no Brasil. É uma série que te prende na frente da TV do começo ao fim, cheia de suspense, drama e reviravoltas de tirar o chapéu.

PARA QUEM JÁ VIU 

Ainda faltam seis episódios a serem adicionados ao catálogo da Netflix no Brasil, que ainda estão sendo exibidos na TV espanhola. Deixo meus agradecimentos aos produtores, criadores, atores e colaboradores em geral que nos presentearam com uma série tão gostosa assim. VALE A PENA CONFERIR. 

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